Porque é que o mar é azul e, por vezes, turquesa ou verde?
Porque é que o mar é azul? Descobre a absorção da luz, os fundos claros, o fitoplâncton e os reflexos do céu, com uma rotina de observação da costa.
Numa baía, a água pode parecer turquesa; ao largo, azul-escura; perto da foz de um rio, verde ou castanha. O mar não tem uma única cor permanente. A água límpida absorve mais as componentes vermelhas da luz solar do que as azuis. As partículas em suspensão, o fundo e os reflexos à superfície também influenciam a luz que chega aos nossos olhos.
Por isso, dizer que o mar reflete o céu azul explica apenas parte do que vemos. A própria água tem uma ligeira tonalidade azul, mesmo sem um céu azul por cima.
A água funciona como um filtro de cores
A luz solar contém diferentes comprimentos de onda, que reconhecemos como cores. A água não os atenua todos da mesma maneira: absorve mais luz vermelha do que azul. Ao percorrer uma grande extensão de água límpida, a mistura restante torna-se relativamente mais azul. A NOAA compara o oceano a um filtro de luz solar.
Para vermos uma superfície azul, alguma luz também tem de regressar na direção dos nossos olhos. A dispersão dentro de água contribui para isso, tal como a luz refletida pelo fundo em zonas pouco profundas. Mas o filtro decisivo é a absorção seletiva. Dizer apenas que «o azul é refletido» não explica o que aconteceu às outras cores.
É um mecanismo diferente do que explica o azul do céu. Na atmosfera, o ponto central é a maior dispersão dos comprimentos de onda curtos. Duas paisagens azuis não precisam de ter a mesma origem física.
Porque parece incolor um copo de água?
Mesmo a água pura tem uma ligeira tonalidade azul. Num copo, o trajeto da luz costuma ser demasiado curto para a tornar evidente. Uma longa coluna de água permite observar melhor o efeito, como explica a Water Science School do USGS.
Pensa numa piscina profunda com um fundo claro. A luz atravessa a água, reflete-se no fundo e volta a atravessar a água ao subir. Esse percurso permite que a absorção altere visivelmente a cor. Uma pequena quantidade da mesma água num copo transparente parece quase incolor. Numa piscina real, a cor do revestimento também pode contribuir.
Não é o sal que torna a água azul: os lagos de água doce e límpida também podem parecer azuis. A origem do sal do mar é uma questão diferente.
O mar também reflete o céu?
Sim. A superfície reflete parte da luz que recebe. Consoante o ângulo de observação e a ondulação, o reflexo do céu torna-se mais ou menos visível. Nuvens luminosas podem criar manchas brancas; um céu encoberto pode contribuir para um aspeto cinzento.
Vemos, assim, uma combinação de reflexos à superfície e de luz que regressa do interior da água. Mudar o ângulo de observação pode alterar a cor aparente sem que a água tenha mudado. Uma fotografia isolada não distingue automaticamente estes contributos.
Três situações frequentes
| Aspeto | Explicação possível | O que não demonstra por si só |
|---|---|---|
| Azul profundo | Trajeto longo da luz em água relativamente límpida, com pouco material que acrescente outras cores | Uma profundidade exata |
| Azul-claro ou turquesa | Um fundo de areia clara pode devolver muita luz através de água pouco profunda e transparente | Que toda a água turquesa seja pouco profunda ou tenha a mesma composição |
| Verde, amarelado ou castanho | Fitoplâncton, sedimentos em suspensão ou matéria orgânica dissolvida alteram a luz | Um diagnóstico certo de poluição ou qualidade balnear |
O turquesa não é uma escala universal de profundidade. Um fundo claro pode iluminar a água costeira, mas as partículas também influenciam o brilho e a tonalidade. A cor, por si só, não identifica uma causa única.
A água esverdeada contém frequentemente mais fitoplâncton, organismos minúsculos em suspensão, do que a água azul muito límpida. Junto à foz de um rio, uma pluma castanha pode dever-se a sedimentos transportados pela corrente. O USGS também refere a matéria orgânica dissolvida como origem de tons amarelos ou castanhos. Nem todas as fronteiras entre cores têm a mesma explicação.
Uma pequena rotina para observar a costa
Podes comparar estas diferenças a olho nu sem transformar a cor numa medição:
- Descreve o local. É uma baía arenosa, uma costa rochosa, uma foz ou mar aberto? Consegues realmente ver o fundo?
- Regista o céu e a superfície. Tem em conta nuvens, água calma, ondas e reflexos intensos.
- Compara duas direções. A água perto de ti parece igual à que está mais ao largo? Descreve primeiro o que muda.
- Separa observação e interpretação. «Uma zona verde ao lado de outra azul» é uma observação. «Mais fitoplâncton» continua a ser uma explicação possível sem dados adicionais.
Nas fotografias, verifica também a data e as indicações de processamento. O equilíbrio de brancos e a saturação podem fazer o mesmo local parecer muito diferente. Um bonito turquesa não mede a profundidade nem analisa a qualidade da água.
Situar a costa num globo
No LiveGlobe 3D, podes rodar o globo, ampliar a vista e procurar locais. Compara, por exemplo, as Bahamas com a costa do Mar do Norte: onde ficam as ilhas, as extensões de mar aberto e as fozes próximas? Este contexto geográfico ajuda a fazer perguntas mais úteis sobre imagens costeiras reais. O acesso web prevê o início de sessão.
Usa o globo para te orientares e analisa as cores em imagens datadas e com uma fonte identificada. A água filtra a luz; o fundo, os materiais presentes e a superfície modificam o resultado. Estes quatro elementos explicam as muitas cores do mar.
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