Três modelos geológicos mostram placas que se afastam, uma placa oceânica que mergulha sob outra e placas que deslizam lateralmente.
Geografia e geologia

Mapa de placas tectónicas: compreender três tipos de limites

Aprenda a ler um mapa de placas tectónicas: limites divergentes, convergentes e transformantes com exemplos do Atlântico, dos Andes e da Califórnia.

Num mapa de placas tectónicas, as linhas atravessam oceanos, passam perto de costas e cortam cadeias montanhosas. Não representam fronteiras políticas: mostram onde se encontram partes vizinhas da camada rígida exterior da Terra e como se movem umas em relação às outras. Três movimentos básicos ajudam a perceber o conjunto: afastar-se, aproximar-se e deslizar lateralmente.

Distingui-los permite compreender por que razão os sismos e os vulcões se concentram em determinadas regiões. Mas nem todos os limites formam uma cadeia vulcânica, e nem todos os vulcões indicam um limite de placas. Uma pequena rotina de leitura dá significado geológico à rede de linhas.

Uma placa tectónica não é um continente

Uma placa não é constituída apenas por crosta terrestre. A litosfera, a camada rochosa rígida, inclui a crosta e a parte superior rígida do manto. Está dividida em placas que se deslocam ao longo dos tempos geológicos (USGS: estrutura interna da Terra, em inglês).

Um continente é uma grande massa de terras emersas. Uma placa pode incluir regiões continentais e fundo oceânico; por isso, o seu limite não tem de coincidir com a costa. A placa Sul-Americana, por exemplo, abrange também fundo oceânico a leste do continente, até à dorsal mesoatlântica.

Na prática, observe primeiro as áreas das placas e os seus limites, e só depois as costas. Assim evita pensar que a América do Sul termina geologicamente na praia ou que cada ilha pertence a uma placa distinta.

Os três tipos básicos de limites

O que importa é o movimento em relação à placa vizinha. Uma única seta não chega: compare sempre os dois lados do limite.

Tipo básicoMovimento das placasContexto geológico habitualExemplo
Limite divergenteAfastam-seForma-se novo fundo oceânico nas dorsais; os processos são acompanhados por vulcanismo e sismosDorsal mesoatlântica
Limite convergenteAproximam-seSubducção ou colisão continental; sismos, formação de montanhas e vulcanismo em muitas zonas de subducçãoPlacas de Nazca e Sul-Americana; Himalaias
Limite transformante, também chamado conservativoDeslizam lateralmente uma em relação à outraDeslocamentos e sismos; este movimento não cria nem consome crostaSistema de San Andreas

São três tipos básicos. Existem também zonas de limites largas e complexas, com placas menores e deformação distribuída por uma região. Uma linha fina num mapa mundial simplifica muito essa realidade (USGS: movimentos das placas, em inglês).

1. Afastar-se: a dorsal mesoatlântica

Localize o Atlântico entre as Américas e a Europa ou África. A dorsal mesoatlântica percorre-o como uma longa cadeia montanhosa submarina. As placas vizinhas afastam-se. Nos centros de expansão sobe magma, que solidifica e forma nova crosta oceânica.

A Islândia torna o exemplo mais concreto: situa-se na dorsal, na região do limite entre as placas Norte-Americana e Euroasiática. Permite observar em terra processos que, em grande parte da dorsal, ocorrem debaixo de água.

Um limite divergente não é uma fenda vazia através da qual se possa olhar para o interior da Terra. É uma zona onde as rochas se afastam e se forma crosta. As setas de um esquema devem mostrar a separação das placas, não a sua aproximação.

2. Aproximar-se: Andes e Himalaias são casos diferentes

Nos limites convergentes, as placas aproximam-se. O resultado depende, entre outros fatores, das partes que se encontram.

Ao largo da costa ocidental da América do Sul, a placa oceânica de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. Este processo chama-se subducção. A fossa oceânica, os sismos, a formação de montanhas e o vulcanismo dos Andes fazem parte desse contexto geológico. Os vulcões não ficam simplesmente sobre a linha do limite desenhada ao largo: situam-se mais para o interior do continente, acima da placa que desce.

Nos Himalaias, pelo contrário, colidem as partes continentais das placas Indiana e Euroasiática. A crosta é comprimida, espessada e elevada. Isto explica a formação de montanhas e os sismos, mas não implica uma cadeia vulcânica ao longo de toda a colisão (USGS: limites convergentes, em inglês).

Retenha esta distinção: convergência significa aproximação; a subducção é um caso particular. Nem todas as colisões funcionam como o exemplo dos Andes.

3. Deslizar lateralmente: o sistema de San Andreas

Num limite transformante, as placas deslocam-se sobretudo lateralmente uma em relação à outra. O sistema de San Andreas, na Califórnia, é um exemplo conhecido entre as placas do Pacífico e Norte-Americana. O lado do Pacífico move-se para noroeste em relação ao outro.

O movimento não é uniforme e sem atrito em todos os segmentos. Alguns podem bloquear, acumular tensões e deslocar-se bruscamente: um mecanismo que ajuda a explicar os sismos. Uma faixa vulcânica não é, porém, uma consequência típica deste movimento lateral por si só.

No mapa, procure movimentos paralelos ao limite. «Conservativo» significa que este processo não produz crosta nova nem devolve crosta antiga ao manto. Não significa «inofensivo».

Ler um mapa de placas em cinco passos

  1. Verifique a fonte e a legenda. O que representam as cores, os tipos de linha, os triângulos e as setas? Uma linha vermelha pode indicar um limite num mapa e outra coisa noutro.
  2. Identifique as duas placas vizinhas. Observe os dois lados do limite escolhido. Não confunda os nomes das placas com os dos países ou continentes.
  3. Interprete o movimento relativo. Afastamento, aproximação ou deslizamento lateral? Se não houver símbolos de movimento, consulte uma fonte geológica em vez de adivinhar pela cor.
  4. Compare formas e eventos. Uma dorsal, uma fossa, uma cadeia montanhosa ou um padrão de sismos são coerentes com o tipo de limite? O mapa dá contexto, não demonstra a causa de cada evento.
  5. Considere a escala e o período. Uma carta mundial simplifica as falhas locais. Um mapa de eventos recentes só inclui os registos selecionados para o seu intervalo e critérios, não toda a atividade geológica.

Para praticar, comece no meio do Atlântico, não numa costa. Procure depois o limite a oeste dos Andes. No primeiro caso, as placas afastam-se e forma-se fundo oceânico; no segundo, uma placa mergulha sob outra. Ambas as regiões podem apresentar sismos e vulcanismo, mas por razões geológicas diferentes.

Para interpretar a seguir uma informação sísmica, consulte magnitude, profundidade e intensidade: distingue a dimensão do evento dos seus efeitos num local concreto.

Por que há vulcões e sismos longe das linhas?

Muitos eventos concentram-se perto dos limites, mas existem exceções. O Havai, no interior da placa do Pacífico, é um exemplo conhecido de vulcanismo de ponto quente. Um vulcão, por si só, não permite identificar o tipo de limite (USGS: pontos quentes, em inglês).

Também há sismos no interior das placas. Zonas de limites largas, falhas locais e profundidade dos focos tornam a distribuição mais complexa. Uma linha global é uma referência, não o contorno exato de todos os locais onde a terra pode tremer.

Explorar o contexto espacial com LiveGlobe 3D

Com LiveGlobe 3D, pode rodar o globo, ampliar a vista e ativar a camada das placas nas definições. Comece com uma visão de conjunto de um oceano ou de uma margem continental antes de se aproximar de uma região. Assim será mais fácil comparar a posição da dorsal atlântica com o bordo ocidental da América do Sul.

Se estiverem disponíveis para o seu acesso, adicione camadas de sismos ou vulcões no menu de dados em direto. Compare-as com uma carta geológica. A aplicação web exige início de sessão; as camadas em direto dependem de dados externos e, em parte, do acesso Premium. A seleção de eventos não constitui um inventário geológico completo.

Uma pergunta basta para começar: que movimento entre duas placas vizinhas explica as formas que vejo aqui? Explore as vistas disponíveis em LiveGlobe 3D e mantenha por perto a legenda da sua carta geológica.

Perguntas frequentes

Por que mostram os mapas números diferentes de placas?

Os mapas gerais agrupam frequentemente unidades menores; os modelos detalhados distinguem pequenas placas e zonas de limites largas. Para comparar, a fonte, o modelo e a escala são mais importantes do que um suposto número universal.

Cada continente fica inteiramente sobre uma placa?

Não. Placas e continentes descrevem realidades diferentes. Uma placa pode incluir terra e fundo oceânico; uma grande massa continental pode abranger partes de várias placas.

Um mapa de placas permite prever o próximo sismo?

Não. Explica relações geológicas a grande escala, mas não indica a data, o local nem a magnitude de um futuro sismo. Um tipo de limite não é uma previsão de curto prazo (USGS: previsão de sismos, em inglês).

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